Autismo feminino adulto, alimentação e emagrecimento
O autismo está na moda?
Se você tem a sensação de que, nos últimos anos, todo mundo começou a falar sobre autismo, você não está sozinha. Basta abrir as redes sociais para encontrar alguém comentando sobre um diagnóstico recente, compartilhando experiências ou explicando características que nunca tinha conseguido compreender em si mesma.
E é justamente nesse momento que costuma surgir uma pergunta:
“Mas será que agora todo mundo é autista?”
Eu entendo de onde vem essa impressão. O que estamos vendo não é uma explosão repentina de autismo na população. Estamos vendo algo que aconteceu com diversos outros diagnósticos ao longo da história: mais informação, mais acesso a profissionais capacitados e mais pessoas conseguindo dar nome para dificuldades que carregaram durante anos.
Isso não significa que toda pessoa que se identifica com um conteúdo sobre autismo seja autista.
Assim como acontece com o TDAH, ansiedade ou depressão, algumas características podem aparecer em diferentes momentos da vida sem que exista um transtorno por trás delas.
O diagnóstico envolve critérios específicos, não estamos falando apenas de gostar de rotina, ser mais introspectiva ou se identificar com alguns vídeos da internet. Essas características precisam estar presentes desde cedo e gerar impactos reais na vida da pessoa. Impactos que podem aparecer nos relacionamentos, na comunicação, no trabalho, nos estudos, na adaptação a mudanças, na gestão da rotina ou simplesmente na quantidade de energia necessária para dar conta de tarefas que parecem simples para outras pessoas.
Existe uma palavra muito importante e que causa muita confusão quando falamos sobre autismo: espectro. Muitas pessoas imaginam o espectro como uma linha que vai do “pouco autista” ao “muito autista”. Ou ainda, autismo leve e grave. Mas essa não é a melhor forma de entender o conceito. Na prática, o espectro se parece muito mais com um conjunto de características que podem aparecer em intensidades diferentes e em combinações diferentes para cada pessoa.
Uma mulher pode apresentar muita sensibilidade sensorial e pouca esteriótipia. Outra pode ter grande dificuldade social, mas quase nenhuma sensibilidade a sons. Outra pode ter hiperfocos muito intensos, mas conseguir manter conversas de forma aparentemente natural. Outras já precisam se controlar muito para não interromper as pessoas e procurar roteirizar minimante todas as conversas para se sentir mais segura. Por isso, é perfeitamente possível você se identificar profundamente com algumas partes deste artigo e não se reconhecer em outras.
Aliás, isso costuma ser mais a regra do que a exceção. Quando falamos em espectro, não estamos descrevendo uma lista em que todas as pessoas precisam marcar todos os itens. Estamos falando de um conjunto de características que podem se manifestar de formas diferentes, em intensidades diferentes e em momentos diferentes da vida.

E se você é mulher, ainda não tem um diagnóstico, mas desconfia preciso te contar uma coisa
Quando falamos sobre mulheres autistas, essa conversa se torna ainda mais complexa. Durante muito tempo, a maior parte das pesquisas sobre autismo foi construída observando meninos. Os critérios diagnósticos foram desenvolvidos com base nesse perfil. Os exemplos utilizados nos livros eram, em sua maioria, masculinos. E muitos profissionais aprenderam a reconhecer o autismo a partir dessas apresentações mais clássicas, em especial hiperfoco em dinossauros e não olhar nos olhos.
O resultado é que inúmeras meninas cresceram sem serem identificadas. Não porque os sinais não existiam, mas porque eles se apresentavam de formas diferentes. Muitas aprenderam desde cedo a observar outras pessoas para entender como deveriam agir. Aprenderam a imitar comportamentos sociais. Faziam testes alterando comportamentos e vendo se era melhor aceita. Aprenderam a esconder desconfortos e a mascarar dificuldades para parecerem “normais”. Apresentam, muitas vezes, interesses especiais em assuntos que são socialmente vistos como “de menina” como barbie, signos, comportamento humano, ou algo que acaba virando a profissão. Também tendem a adaptar estereotipias para algo mais aceito socialmente como pegar no cabelo, cutucar as unhas ou balançar as pernas.
E depois de normalizar por tanto tempo determinados comportamentos, em muitos casos, existe uma falha na percepção do tamanho do esforço envolvido. Por trás dessa dificuldade em reconhecer o autismo feminino, existe também uma história de muitos rótulos. Muitas mulheres cresceram ouvindo que eram sensíveis demais, difíceis, antissociais, preguiçosas, egoístas, distraídas, imaturas ou simplesmente “complicadas”.
Mas, como conseguiam cumprir suas responsabilidades ou apresentavam um bom desempenho acadêmico, o sofrimento acabava passando despercebido. Com o tempo, essas explicações vão sendo incorporadas à identidade. Em vez de pensar “estou enfrentando uma dificuldade”, passa a acreditar que ela própria é o problema.
Por isso, muitas mulheres chegam à vida adulta carregando dúvidas que nunca foram respondidas. Elas percebem que algumas experiências descritas por pessoas autistas fazem sentido, começam a investigar o assunto, mas ainda não têm certeza do que está acontecendo. Por isso, não é raro encontrar mulheres que recebem um diagnóstico apenas na vida adulta. E, para muitas delas, esse momento vem acompanhado de sentimentos contraditórios. Existe o impacto de descobrir algo importante sobre si mesma. Mas também existe um enorme alívio. Porque muitas experiências que pareciam defeitos de personalidade começam, finalmente, a fazer sentido.
Inicialmente, eu pretendia escrever apenas sobre alimentação, emagrecimento e comportamento alimentar, mas as não dá para trabalhar com mulheres autistas, conviver com o autismo de perto sem falar sobre o que veio antes:
- Sem falar sobre anos tentando se encaixar.
- Sem falar sobre o cansaço de viver interpretando um papel.
- Sem falar sobre o sofrimento de ouvir explicações que nunca pareciam explicar completamente aquilo que você vivia.
- Sem falar sobre a complexidade que é lidar com as demandas normais da vida adulta e mais o peso de frequentemente ser mal compreendida até mesmo pelas pessoas próximas
E, principalmente, sem falar sobre quantas mulheres tiveram suas dificuldades minimizadas, invalidadas ou simplesmente ignoradas por profissionais de saúde. Por isso, se você chegou até aqui e se identificou com parte dessas experiências, não quero que saia deste texto com a certeza de um diagnóstico.
Mas talvez eu queira que você saia com uma outra pergunta: E se algumas das dificuldades que você atribuiu a defeitos de personalidade durante toda a vida merecessem ser investigadas com mais curiosidade e menos julgamento? Porque, independentemente do nome que essas experiências venham a receber, elas merecem ser compreendidas.
Autismo adulto e alimentação: além da seletividade alimentar.
Quando as pessoas pensam em autismo e alimentação, normalmente a primeira coisa que vem à mente é a seletividade alimentar. E, como boa parte dos conteúdos disponíveis na internet foi escrita para pais de crianças autistas, a conversa costuma parar em estratégias para esconder legumes no meio do arroz, transformar vegetais em personagens divertidos ou convencer uma criança a experimentar algo novo.
Então, já começo este bloco esclarecendo dois pontos.
O primeiro é que a seletividade alimentar existe, é muito comum e, em muitos adultos, passou anos sendo chamada apenas de “paladar infantil”, “frescura” ou “mania”. Mas, na maior parte das vezes, ela não é o principal desafio quando falamos sobre alimentação e emagrecimento na vida adulta.
O segundo ponto deveria ser óbvio, mas aparentemente ainda precisa ser dito: crianças autistas crescem. E muitas delas chegam à vida adulta sem diagnóstico, carregando décadas de críticas por comportamentos que nunca foram compreendidos adequadamente. São pessoas que ouviram a vida inteira que eram frescas, difíceis, mimadas, inflexíveis ou complicadas demais, quando na verdade estavam tentando lidar com um funcionamento neurológico que ninguém ao redor sabia identificar.

Por isso, quando falamos sobre autismo e alimentação em adultos, estamos falando de algo muito maior do que simplesmente gostar ou não gostar de determinados alimentos. Na prática, algumas pessoas autistas apresentam grande sensibilidade a sabores, texturas, temperaturas, cheiros ou até mesmo à aparência dos alimentos. O que para alguém parece apenas uma pequena diferença pode ser percebido pelo cérebro autista como algo extremamente desagradável. Eu vi um médico autista no instagram @ofelipemendonca_ a fazendo uma comparação que eu achei bem didática. Ele comparava a dificuldade de comer alguns alimentos com uma pessoa neurotípica ocidental sendo convidada a comer uma barata. A repugnância e o desconforto com determinados alimentos pode causar um mal estar e uma desregulação e atrapalhar todo o dia.
Mas a relação entre autismo e alimentação costuma ser muito mais ampla do que apenas a seletividade. Uma das características mais importantes de considerar durante o tratamento é que mudanças costumam exigir um custo emocional muito maior para pessoas autistas. Por isso, abordagens tradicionais que tentam transformar toda a alimentação de uma vez só frequentemente geram mais sofrimento do que resultado.
Enquanto algumas pessoas conseguem lidar relativamente bem com mudanças rápidas, muitas pessoas autistas precisam de previsibilidade, rotina e tempo para incorporar novos comportamentos. Quando isso não é respeitado, o processo pode se tornar extremamente estressante. Lembro de uma paciente que me contou que o marido havia comprado uma marca diferente de leite da que ela consumia habitualmente. Pode parecer um detalhe pequeno para quem observa de fora. Mas aquela mudança foi suficiente para gerar tanto desconforto que ela sentiu náuseas e teve dificuldade para se alimentar durante o restante do dia.
Esse tipo de situação ajuda a ilustrar algo importante: nem sempre estamos lidando com preferência. Muitas vezes estamos lidando com processamento sensorial. E isso faz toda a diferença na forma como conduzimos o tratamento. Outro ponto importante é mais uma vez lembrar que estamos falando de um espectro. Talvez você consuma com uma grande variedade de alimentos e nada do que eu trouxe até aqui faz sentido com as suas dificuldades atuais. Isso significa que não existe uma experiência única de autismo.
Existe ainda um outro aspecto que costuma passar despercebido quando falamos sobre autismo na vida adulta: o impacto da sobrecarga sobre as funções executivas. Já falamos sobre elas no artigo sobre TDAH, mas se é sua primeira vez ouvindo esse termo. As funções executivas são as habilidades que nos ajudam a planejar, organizar, iniciar tarefas, tomar decisões, priorizar demandas e transformar intenções em ações. E, embora muita gente associe esse tema apenas ao TDAH, a verdade é que elas também podem ser bastante afetadas no autismo, especialmente durante períodos de sobrecarga.
E quando falo em sobrecarga, não estou falando apenas de uma crise sensorial. Estou falando também daquela sobrecarga mais silenciosa e crônica que acontece quando a vida começa a exigir mais do que a pessoa consegue administrar com os recursos que possui naquele momento.
- Trabalho.
- Relacionamentos.
- Responsabilidades domésticas.
- Filhos.
- Demandas sociais.
- Burocracias.
- Compromissos.
- Decisões o tempo todo.
Muitas mulheres relatam que conseguiam funcionar relativamente bem durante a infância ou adolescência, mas começaram a perceber dificuldades importantes na vida adulta. Não necessariamente porque os sinais não existiam antes, mas porque a vida era mais simples, mais estruturada e exigia menos autonomia. Além de claro, existia um maior suporte dos cuidadores.
Quando a quantidade de demandas aumenta, o custo energético para manter tudo funcionando também aumenta. E é justamente aí que muitas pessoas começam a perceber dificuldades para planejar refeições, organizar compras, preparar alimentos, manter hábitos de saúde ou simplesmente tomar decisões ao longo do dia sem se sentirem completamente exaustas.
Nesses momentos, a alimentação acaba sendo impactada não apenas pelas questões sensoriais, mas também pela dificuldade de gerenciar a própria energia e a própria vida.
O que muda em relação ao tratamento?
Se esse não é o seu primeiro artigo meu, pode já ter percebido que eu sempre falo sobre o mapeamento de demandas. Quando atendo uma mulher autista, vou ouvi-la e entender as suas dificuldades dentro ou fora do espectro. Duas pessoas podem compartilhar o mesmo diagnóstico e apresentar desafios completamente diferentes quando o assunto é alimentação, hábitos e emagrecimento. Algumas terão mais dificuldades relacionadas à seletividade alimentar, como vimos no tópico anterior, outras podem apresentar maior necessidade de previsibilidade e sofrer intensamente quando a rotina muda. Outras podem ter desafios importantes de regulação emocional e perceber que a comida se torna um recurso frequente para lidar com sobrecargas, frustrações ou estresse.
E existem também aquelas que até conseguem manter uma alimentação equilibrada, mas encontram dificuldades em sustentar outros hábitos importantes. Uma situação relativamente comum acontece quando a pessoa cria uma rotina extremamente rígida. Por exemplo, ela decide que fará atividade física às cinco da manhã. Mas, se por algum motivo não consegue cumprir exatamente aquele plano, sente que toda a rotina foi comprometida e encontra dificuldade para flexibilizar.
Nesses casos, o desafio não é falta de interesse pela atividade física. Muitas vezes é a dificuldade de adaptar o plano quando a realidade não acontece exatamente como o esperado. Além disso, existem situações em que o comportamento alimentar está muito mais relacionado à sobrecarga sensorial do que à comida em si.
Por isso, uma parte importante do meu trabalho é entender como funciona o dia a dia daquela paciente.
- O quanto ela está conseguindo descansar.
- O quanto está exposta a estímulos que a desgastam.
- Quais situações costumam gerar desregulação.
- Quais mudanças são particularmente difíceis.
- E quais sinais o corpo costuma emitir antes de uma crise, um shutdown ou um período de exaustão mais intensa.
Lembro de uma paciente que frequentemente sentia uma necessidade intensa de pedir comida por aplicativo quando chegava o final da tarde. Durante nossa investigação, percebemos que um dos gatilhos era o barulho constante dos vizinhos. O problema não era exatamente a alimentação e sim a sobrecarga sensorial.
A estratégia que ajudou não foi nutricional. Conversamos sobre a possibilidade de utilizar fones antirruído dentro de casa e isso reduziu significativamente o desconforto que ela sentia. Quando a desregulação diminuiu, a necessidade de usar a comida como forma de compensação também diminuiu.
É por isso que, no autismo, não existe uma receita pronta, é entender como ela funciona. O que gera conforto ou sobrecarga. O que facilita a construção de hábitos ou aumenta a desregulação. E quais adaptações podem tornar aquele processo mais sustentável.
Porque quando ignoramos essas características, a chance de fracasso aumenta muito. Mas quando construímos estratégias compatíveis com a forma como aquela pessoa funciona, o emagrecimento deixa de ser uma luta constante contra si mesma e passa a se tornar um processo muito mais possível.
Outro grande desafio do tratamento, muitas mulheres autistas passaram tantos anos tentando se adaptar às expectativas dos outros que perderam o hábito de observar os próprios limites. Elas aprendem a suportar desconfortos por muito tempo, ignoram sinais de cansaço, fome, necessidade de pausa ou sobrecarga sensorial e só percebem que ultrapassaram o limite quando o corpo já não consegue mais sustentar aquele esforço.
Por isso, muitas vezes o tratamento envolve reaprender algo que deveria ser simples: escutar o próprio corpo. Perceber quando a energia está acabando, quando o ambiente está exigindo mais do que deveria, quando uma mudança precisa ser feita de forma mais gradual. E também perceber quando insistir em determinada estratégia está gerando mais sofrimento do que benefício. Ainda que ela tenha sido sugerida por mim.
Trabalho multidisciplinar
Também acompanhei muitas pacientes que já possuíam um diagnóstico, mas que ainda não estavam recebendo o suporte necessário para lidar com as dificuldades que mais impactavam sua qualidade de vida. Quando falamos sobre suporte, muitas pessoas imaginam imediatamente a ajuda de outra pessoa ou de uma depedência.
Suporte é qualquer recurso que ajuda alguém a lidar melhor com as demandas da vida, reduzindo sofrimento, esforço excessivo ou limitações desnecessárias.
Às vezes esse suporte vem de um profissional, de um familiar, um medicamento, o próprio suporte que eu ofereço nos encontros, uma diarista, muitas vezes ele pode ser tecnológico, como um aplicativo ou um fone de ouvido. O oferecer suporte significa, na prática, criar condições para que a pessoa consiga utilizar sua energia de forma mais inteligente. Diminuindo barreiras desnecessárias para que ela consiga fazer aquilo que é importante para sua vida com menos sofrimento e mais autonomia.
Por isso, quando falamos sobre tratamento multidisciplinar, não estamos falando apenas de profissionais. Estamos falando sobre construir uma rede de recursos que permita que aquela pessoa funcione melhor dentro da sua realidade, respeitando suas necessidades, seus limites e sua forma de perceber o mundo.
E existe uma particularidade importante quando falamos sobre autismo. Nem sempre a dificuldade está apenas nos sintomas em si. Muitas vezes existe também uma dificuldade em perceber, organizar e verbalizar aquilo que está sendo sentido. Algumas mulheres passaram tantos anos se adaptando, mascarando desconfortos e normalizando situações difíceis que acabam respondendo automaticamente que “está tudo bem”, que “são coisas da vida” ou que “todo mundo passa por isso”.
Mas, quando começamos a investigar com mais profundidade, aparecem sinais importantes de sobrecarga, exaustão, sofrimento emocional, dificuldades sensoriais ou demandas que estão consumindo muito mais energia do que deveriam.
Por isso, nos encontros com algumas pessoas acabo dando suporte, ajudando justamente a transformar experiências difusas em algo que possa ser compreendido.
- Nomear desconfortos.
- Identificar padrões.
- Reconhecer gatilhos.
Entender o que está acontecendo antes que o sofrimento se torne tão intenso a ponto de gerar uma crise ou um esgotamento importante. Não existe exatamente um medicamento para o autismo. O que os médicos costumam tratar são sintomas específicos como ansiedade, insônia, compulsão alimentar que estão causando sofrimento ou prejuízo naquele momento da vida.
E a necessidade de um tratamento medicamentoso vai depender das características, dos sintomas e dos objetivos de cada pessoa. Inclusive, muitas pessoas autistas não utilizam medicações e conseguem construir uma boa qualidade de vida através de adaptações ambientais, psicoterapia, ajustes de rotina e desenvolvimento de estratégias compatíveis com seu funcionamento.
Por isso, sempre que possível, defendo muito trabalhar de forma integrada. Cada profissional observando uma parte da história. E, quando existe abertura, muitas vezes também faço contato com os profissionais envolvidos para compartilhar observações que surgem ao longo do acompanhamento. Não para substituir o trabalho de ninguém, mas para ajudar a construir uma visão mais completa daquilo que está acontecendo.
E por fim, termino esse artigo ressaltando que o meu objetivo não é transformar a rotina em uma sequência interminável de regras. O foco costuma ser o oposto: construir uma rotina que ofereça previsibilidade suficiente para trazer segurança, mas flexibilidade suficiente para continuar funcionando quando a vida real acontece.
E, na minha experiência, quando conseguimos construir essa combinação de regulação, flexibilidade e autoconhecimento, a alimentação e o emagrecimento costuma melhorar como consequência de um sistema que passou a funcionar melhor como um todo.